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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O SERVIR NA UMBANDA: TOLERÂNCIA, INCLUSÃO E LIBERDADE.



O texto de hoje trata-se de uma reflexão pessoal do meu processo de aprendizado [bem como de leituras e pesquisas pessoais] de quase sete anos como praticante, médium e militante de uma tenda de umbanda a qual fiz parte bem recentemente, que se diga de passagem sou muito grata e reservo muito respeito no sentido de reconhecer os grandes, nobres e dignos acertos presenciados. Tal período, importante registrar, é muitíssimo pouco tempo diante de todo milênio de sabedoria e hermetismo que perpassa a arte dos mistérios divinos da Lei divina em ação, aliás, todo tempo na “terra” no exercício desse religare é pouco perante o infinito e imensurável Governo Oculto do Mundo. 

Abro um parêntese rapidamente para dizer que nem toda iniciação num determinado templo significa que o neófito tenha que completar seus “ensinamentos” até os últimos dias de sua vida na mesma “escola iniciática”, especialmente, porque a vida é cheia de imprevistos [provações] e tudo perpassa humano, desde o discípulo até o dirigente da casa, são todos humanos, até mesmo a comunicação mediúnica com o divino depende do equilíbrio humano, se não claramente ou sutilmente, de acordo com o estado de [des]equilíbrio mediúnico, refletirá, obviamente, o que é conveniente à situação do “aparelho” [médium], sobretudo, se ele se diz ser o “porta da voz mor” de imensa luz, nesse caso tal estado pode o levar até mesmo ao “abuso do poder”, quando se utiliza de um guia para afugentar pessoas que desagrade ou tenha desagradado o “porta voz”, nesse caso, surgem as seguintes indagações, um guia de luz condena ou cerceia seres humanos de adentrar num templo por problemas pessoais humanos, sem ouvi-los ? Um guia destrata seres humanos por questões [pseudos] morais terrenas, jogando todos na fogueira, de acordo com “juízo” de valor do “aparelho”? As respostas para essas perguntas encontram-se em vossos corações, e, certamente responderão NÃO, os guias trabalham com a compreensão divina, mesmo os Executores – Os Exus de lei e bombosgiras não agem dessa forma, são seres onipresentes e por mais equivocadas ou corretas que sejam as ações humanas, eles certamente lhes ouvirão, independente de qualquer coisa...Então se percebe que a qualquer momento o ser humano estar a beira de um ataque de nervos por mais elevado em que se diz ser, até São Franscisco de Assis já teve seus momentos de destemperos quando tentaram desvirtuar os fundamentos de sua ordem, ainda mais nós reles mortais, justamente, em função das famosas provas de expiações a qual poderá culminar num fortalecimento da união, se for o caso da sábia, justa e humilde ponderação de tais indivíduos, há pesar para aquele que se diz mais sábio e experiente ou então o rompimento dos laços pela mesma causa ou inverso-negativo da causa, tudo rumando a libertação. A pergunta que fica é: a “queda” foi de quem? Cada um tem seu ego manipulativo, ainda mais quando a imagem “moral” está em jogo, mas é a consciência que irá pesar ou não na hora do deitar da cama. Já diria a canção “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...” e sobre veracidade há aquele sábio dito popular, “existe a minha verdade, existe a sua verdade e existe A VERDADE, a verdade divina”!... A verdade é o que nos faz livres. “Conheceis a Verdade e a Verdade vos libertará”, disse O PAI.

Fecho parêntese retomando para o serviço na umbanda alicerçado no amor e caridade ao próximo, no culto a natureza e aos seres vivos, nada se cobra materialmente e nada se imola, digo a umbanda nascente em 1908 na cidade de Niterói-RJ anunciada pelo caboclo das Sete Encruzilhadas, aquela que deu a voz ao povo por meio de sua tríade sagrada, “Caboclos, Pretos velhos e erês” e, acima de tudo, dignifica a vida cultuando todo ser vivo sem sacrifícios.

Ainda, nessa época, foram estabelecidos os princípios básicos que nortearam e norteiam todos os templos da Umbanda Genuína que seguiram a doutrina pregada espiritualmente em solos terrenos desde 1908, portanto, sendo assim um registro histórico, sociológico e antropológico de uma religião de matriz universal, pois se organiza a partir de diversos matizes culturais e espirituais [catolicismos, kardecismos, esoterismo, xamanismo indígena, culto aos orixás de matriz afro, dentre outros] que não pode ser ignorado por nenhum praticante e/ou estudioso, pois nessa raiz universal se encontra o viés de formação da umbanda e suas normas gerais, independente das diversas formas que se executa a Umbanda, afinal, cada terreiro é uma “tribo” e possui seu “cacique” que direciona o trabalho, as vertentes e a filosofia do seu templo, de acordo com suas instruções comunicativas com o divino.

Nesse sentido podemos constatar que a Umbanda é uma religião livre, cujos conceitos são passados oralmente, de geração a geração, dessa forma, a sua ritualística e fundamentação é adaptada a cada pensamento que forma uma vertente dentro da religião. Diante de determinado tema existem diversas interpretações, dessa forma deve-se ter a cautela ao selecionar o que melhor lhe convier, contudo aqui elenco alguns princípios gerais dentre tantos que perpassam a maioria dos templos [terreiros ou tendas] alicerçados na Umbanda tradicional fundada por Zélio Fernando de Moraes, tais conceitos já bastante conhecidos e debatidos por autores, especialistas na temática, a citar WWW. Da Matta e Silva, Rubens Sareceni e mais recentemente Lurdes Vieira, todos, além de estudiosos, mestre iniciados, sacerdotes da lei divina em ação. Segue:

1) A existência de um Princípio Criador – DEUS, O Onipotente e Irrepresentável; chamado Zambi. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, por exemplo, Tupã para caboclos, entre outros, mas são todos fiéis a um só Deus;

2) A manifestação trina do Princípio Criador, dentro da visão Naturalista e Espiritualista; 

3) A Crença nos Orixás dos cultos Afro-Brasileiros e nas Linhas da Umbanda; 

4) A existência de entidades espirituais, mensageiros das vibrações dos Orixás, ainda em evolução, diga-se de passagem, um outro tipo de evolução de outras esferas dimensionais, bem diferente do processo evolutivo humano ; a manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "aparelhos", também chamados de "cavalos";

5) A Reencarnação e a Lei do Carma;

6) O regaste interno, a “raça” caída [crença atlantiana],sempre em busca do aperfeiçoamento evolutivo humano, cura e a libertação por meio da iniciação magística.

7) A prática da mediunidade em suas diversas manifestações;

8) O Amor, manifestado como Caridade, na palavra e na ação; A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;

9) A afirmação de que o ser humano VIVE NUM Campo Vibratório, sendo Ele próprio um Campo Vibratório que o seu Livre Arbítrio comanda, dentro do princípio da natureza trina: Espírito, Alma e Corpo;

10) Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;

11) A Umbanda está a serviço da Lei Divina e só visa ao bem. Qualquer ação que não respeite o livre-arbítrio das criaturas, que implique em malefício ou prejuízo de alguém ou se utilize de magia negativa, não é umbanda; 

12) A Umbanda não realiza em qualquer hipótese o sacrifício ritualístico de animais nem utiliza quaisquer elementos destes ritos em oferendas, ou trabalhos; 

13) Reverencia às forças da natureza, a preservação e o respeito a todos os seres vivos e ambientes naturais da Terra; 

14) Todo serviço da Umbanda é de caridade, jamais cobrando monetariamente ou aceitando retribuição de qualquer espécie por atendimentos, consultas ou trabalhos;

15) A Umbanda possui identidade própria e não se confunde com outras religiões ou cultos, embora a todos respeite fraternalmente, partilhando alguns princípios com muitos deles;



Finalizo a reflexão frisando a importância da prática do último princípio, assim como todos, mas, sobretudo, pelo exercício diário do RESPEITO E TOLERÂNCIA a qualquer outro culto religioso culmina na importante luta pela liberdade religiosa que também perpassa o servir na umbanda, fundamental para o reconhecimento da FRATERNIDADE, SOLIDARIEDADE E COMPREENSÃO para todos aqueles que são perseguidos historicamente por não seguirem religiões eurocêntricas consideradas oficiais, apesar de vivemos em um Estado laico desde 1924. Bravos e verdadeiros militantes do movimento afro-religioso e umbandista, a eles devemos ser grato pelo avanço e conquista de muitos direitos conquistados, a citar a legalização dos terreiros em muitos estados, inclusive, em Belém do Pará se destaca como uma das cidades que muito contribuiu nessa conquista e a tão importante lei 12.644 que decreta o dia 15 de novembro, como dia nacional da Umbanda. Portanto, umbandista que ataca seja pessoalmente ou em redes sociais ou em eventos acadêmicos práticas afro- religiosas de forma generalizante e superficial, simplesmente por não seguirem a “Verdade absoluta” empregada pelo seu templo vai à contramão do viés dos princípios básicos da própria UMBANDA SAGRADA, tornando-se um ser, seja ele adepto, médium de uma corrente ou mesmo um sacerdote, o que é mais grave, AUTORITÁRIO E INTOLERANTE, além de jactancioso por ser considerar o único detentor do CAMINHO SAGRADO, o que é uma contradição, pois a tríade da umbanda está pautada na obediência, lealdade e HUMILDADE!

Vamos companheiros regar a nossa flor divina, a qual sua força vital vem do exercício diário da humildade e tolerância para que ela não SEQUE, para que, sim, FLORESÇA, perdure por muito tempo e assim façamos um trabalho de caridade na prática do bem seja em que templo for, seja afro-religioso ou de umbanda, busquemos, de fato, a nossa cura interna e externa GENUÍNA e LIBERTADORA de nossas próprias amarras morais e egóicas [vaidade, orgulho, recalques, etc.], façamos do discurso à prática, da coerência o respeito, da tolerância e autocrítica à humildade. Sigamos em paz, combatendo a intolerância e toda forma de preconceito, mesmo quando surgem dentro da nossa própria seara religiosa, pois como diria Cristo Jesus “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. '' I João 3.18".

Saravá!

Por: Alanna Souto

Texto retirado do site:


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terça-feira, 15 de agosto de 2017

HUMILDADE NA UMBANDA



Olá irmãos,

Dando prosseguimento ao estudo sobre as “palavrinhas mágicas” propostas pela nossa Guia Espiritual do CEENC, a Vovó Antonieta da Bahia, venho falar sobre a HUMILDADE NA UMBANDA.

Já foram estudadas em outros dias as seguintes “palavrinhas mágicas”: Harmonia, Concórdia, Companheirismo, Equipe, Compartilhamento, Conhecimento, Paz e Abnegação. Faltam ainda: Abdicação, Compromisso, Verdade, Resignação e Fraternidade.

Hoje venho falar de um tema que considero difícil: A HUMILDADE.

Para alguns pode ser fácil, pois ao escrever sobre a HUMILDADE NA UMBANDA, lembramos logo dos nossos Pretos-Velhos e Caboclos, os quais rapidamente associamos à Caridade, ao Amor, à Bondade, à Simplicidade e à Humildade.....que é a NOSSA UMBANDA!

O texto extraído do site do CEENC diz tudo:

"Você que fala da Umbanda
Não sabe o que a Umbanda é.
A Umbanda é força divina,
A Umbanda é pra quem tem fé.
A Umbanda é de Preto-Velho
E de Caboclo de pé no chão.
A Umbanda é de gente HUMILDE
Pois a Umbanda é amor e perdão"
(Extraído do Site do CEENC)

Porém, para mim, antes de falarmos de Humildade na Umbanda, temos que falar na humildade no dia-a-dia, na nossa vida e isso considero difícil....

Antes de começarmos, vamos recorrer ao nosso bom amigo dicionário.... Segundo o Dicionário Michaelis On-line: Humildade é: 1-Virtude com que manifestamos o sentimento de nossa fraqueza. 2-Modéstia. 3-Pobreza. 4-Demonstração de respeito, de submissão. 5-Inferioridade.

Após esse conceito nos voltemos às nossas vidas...

Hoje vivemos num mundo material de provas e expiações, no qual buscamos a sobrevivência e a competição constante, quer seja no trabalho ou em nossas buscas individuais. Por isso, alguns, erroneamente, podem levar a palavra humildade com os significados mencionados anteriormente: fraqueza, modéstia, pobreza, submissão e inferioridade. Porém a humildade vai muito além disso. Ela está relacionada com distinção, gentileza, lucidez, graciosidade e simplicidade. Ela é uma virtude distinta que não gosta de se mostrar ou aparecer, pois a pessoa humilde não acredita que ela mesma seja humilde. É só lembrar de qualquer conversa com um preto-velho que notamos isso... Uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender e a deixar brotar no solo fértil da sua alma, a boa semente.

A humildade é a mais nobre de todas as virtudes pois somente ela predispõe o seu portador, à sabedoria real.

A humildade aprecia e valoriza a simplicidade, não busca poder ou prestígio e não tem preconceitos. A humildade é uma das características mais importantes que um médium de umbanda deve ter, pois ela é um caminho para servir ao próximo e a Deus, pois um servo deve ser simples e humilde para bem desempenhar o papel que se propôs a fazer.

Jesus Cristo foi o maior exemplo de humildade no nosso mundo, pois nasceu em uma manjedoura e dedicou toda sua vida a servir.    

Durante meu estudo sobre o tema, extraí e adaptei do texto Humildade x Orgulho (da Equipe de Redação do Momento Espírita) alguns exemplos sobre uma pessoa humilde:

“Quando uma pessoa humilde comete um erro, diz: "eu me equivoquei", pois sua intenção é aprender e crescer.

A pessoa humilde trabalha mais que a orgulhosa e, por essa razão, tem mais tempo.

A pessoa humilde enfrenta qualquer dificuldade e sempre vence os problemas. Uma pessoa humilde se compromete e realiza.

A pessoa humilde diz: "eu sou bom, porém não tão bom como eu gostaria de ser".

A pessoa humilde respeita aqueles que lhe são superiores e trata de aprender algo com todos.

O humilde sempre faz algo além da sua obrigação.

Uma pessoa humilde diz: "deve haver uma maneira melhor para fazer isto, e eu vou descobrir".

A pessoa humilde compartilha suas experiências com colegas e amigos.

A pessoa humilde está sempre disposta a ouvir todas as opiniões e a reter as melhores. Quem é humilde cresce sempre. A humildade é chave que abre as portas da perfeição.

O humilde reverencia ao Criador todos os dias, porque sabe que há muitas verdades que ainda desconhece.

Uma pessoa humilde defende as ideias que julga nobre, sem se importar de quem elas venham.

Você sabe por quê o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso? É porque foi humilde o bastante para colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha. E certamente estaria isolado.

Pensem nisso!!!”

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Finalizando o estudo de hoje, temos uma pergunta: Somos pessoas humildes?

Respondo por mim: Ainda não, mas vou tentar ser!!!!!!

E você ???

 “A Umbanda será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”
(Caboclo das Sete Encruzilhadas, 15 de novembro de 1908.)

Por: Magal

Texto retirado do site:


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O CIÚME NA CASA RELIGIOSA – REFORMA ÍNTIMA



Proponho uma reflexão que acontece muito em algumas casas, O CIÚME DO DIRIGENTE, infelizmente está ai um problema bem complexo e melindroso de ser tratado, o de lidar com os sentimentos das pessoas.

Infelizmente alguns médiuns, acabam que criando um afeto grande pelo seu dirigente, nada teria de mal se esse Amor fosse algo agregador e doador, a tudo e a todos,  mas em alguns casos se torna POSSE, ao ponto desse médium se tornar uma pessoa inconveniente, invasiva no âmbito social que envolve a casa religiosa, alguns médiuns que sofrem desse problema, acabam se tornando um empecilho para o crescimento da casa. Vamos observar alguns aspectos:

*”Roberta está na casa religiosa do Sr. Pedro a algum tempo, o Sr.Pedro é dirigente, pai de santo do Terreiro de Umbanda de Pai Tomás, Roberta é uma filha dedicada, mas infelizmente, sofre de um grande mal, não aceita que ninguém mais se aproxime de Pai Pedro, quando chega algum médium novo ou mesmo consulente e Roberta vê que sua atenção está sendo dividida, ou mesmo seu dirigente está dando mais atenção para outra pessoa que não seja ela, a mesma muda completamente ou se fecha ou simplesmente com brincadeiras pejorativas e de mal gosto ofende as pessoas “alvo” as quais acha que podem tirar segundo seu pensamento o seu lugar na casa, o seu afeto e atenção e esses ataques emocionais vamos colocar assim não acontece somente com pessoas novas na casa, pessoas velhas na casa também se tornam seu alvo“.

E estes tipos de atitude realmente afasta as pessoas, porque ninguém quer frequentar um lugar onde exista uma pessoa má educada, desagradável, ofensiva. Muitas vezes esses tipos de médiuns são orientados quanto a posturas, uns até se corrigem, outros vira e mexe, lá estão eles dando verdadeiras “picadas” novamente, alguns destes tipos de caráter são bem complexos de serem corrigidos.

“OS MÉDIUNS DE UMA CASA RELIGIOSA É SEU CARTÃO DE VISITA, EDUCAÇÃO É BOM E CABE EM QUALQUER LUGAR”.

Brincadeiras são boas quando trazem um conforto, alegria, agregadoras. Brincadeiras de mal gosto, maldosas são totalmente dispensáveis numa casa religiosa, fora que “brincadeiras” devem ser feitas com quem se tem afinidade, com quem se conhece e principalmente com quem lhe deu permissão e liberdade para isso.

Uma casa religiosa tem sim seus momentos de descontração, mas essa liberdade não pode ser confundida com libertinagem.

Médiuns assim deixa toda casa religiosa em situações bem desagradáveis, porque vira e mexe, o assunto envolvendo esses tipos de médiuns vem a baila, tipo: “… desculpa, mas seu médium foi grosseiro comigo….”, coisinhas pequenas, mas que vão se tornando um grande desconforto.

O médium quando tem esse problema ele tem que entender que primeiramente seu DIRIGENTE NÃO É POSSE DELE, e nem OUTRO IRMÃO NO SANTO, subtende-se que a casa religiosa tem que a todos agregar, amparar, encaminhar, e não pode se restringir nem a ninguém e nem a nada que obstrua sua trajetória e missão religiosa.

Infelizmente dentro da casa religiosa o MAL DO CIÚME, PODE AGREGAR JUNTO COM ELE O MAL DA FALSIDADE, e quando começa a ocorrer tais situações envolvendo esse médium, o mesmo já  começa a se tornar um grande problema que caso não se corrija pode sim se desencaminhar, podendo levar a advertências mais severas.

Já vi situações que esse sentimento de posse, ciúme, chegam a proporções tão desagradáveis, ao ponto que o médium ciumento, tenta de todas as formas afastar aquelas pessoas que por ventura lhe sejam um obstáculo, outros procuram chamar a atenção das piores formas, dando verdadeiros espetáculos e fazendo verdadeiras cenas dentro do terreiro para que o seu dirigente lhe conceda a tal esperada atenção.

Ah, meus irmãos o mal do ciúme, muitas pessoas dizem quem AMA TEM CIÚME, será? um ciúme controlado é uma coisa, agora um ciúme doentio é bem diferente.

Médiuns assim devem ser orientados, doutrinados, quanto as suas atitudes e responsabilidades perante ao grupo mediúnico. Primeiramente conscientizando que sua má atitude também expõe os demais.

Pelo menos deve-se tentar fazer entender que suas atitudes prejudicam o crescimento da casa religiosa como um todo.

O ciúme ele muitas vezes mascara outros problemas psicológicos, como uma péssima auto estima, complexos de inferioridade e de segurança, onde o “o meio” que seria o foco desse ciúme”,  pode de uma certa forma ter dado a atenção que essa pessoa nunca recebeu em sua vida, por isso o medo de perder. Mas o que a pessoa se esquece ou não quer ver, e não se permite, é que aquelas pessoas que ele ou ela afasta de seu convívio, as quais vê como algo que vão prejudicá-la pode ser justamente o contrário,  mais uma pessoa para agregar bons sentimentos, amizades, companheirismo, mas a pessoa não quer, não abre espaço para que isso aconteça, porque para ela ninguém mais interessa só o foco de seu afeto.

A Umbanda não está aqui para dar remédios a sãos, e o lidar com o ser humano e sentimentos nunca foi e nunca será tarefa fácil. O dirigente, os guias e mentores investem muito nesses trabalhos de reforma íntima, de caráter e moral, mas infelizmente nem toda batalha é possível de se vencer, e tem casos que quando esse médium não se corrige o bem maior do grupo deve prevalecer, e se esse médium passa a ser um problema de discórdia, fatalmente será convidado a se retirar da casa para que a UNIÃO E PAZ permaneçam, é muito triste quando isso acontece, porque na grande maioria das vezes tudo foi tentado para que aquele irmão(ã) se adequasse a rotina da casa religiosa.

O dirigente ele tem sua parcela de responsabilidade nessas situações, e deve ficar muito atento quando da ocorrência desses EXCESSOS DE ATENÇÕES, vinda de um determinado médium, observando se não está sendo algo exagerado, possessivo e deve sim na medida do possível, corrigir, para que futuramente esse médium não acabe se perdendo em seu próprio ego, porque muitas vezes quando esse médium vê que não está sendo mais o centro das atenções, sua vaidade fica ferida, e é daí que começa as posturas maledicentes, maliciosas, pejorativas e maldosas para com tudo que está a sua volta. Um outro ponto é que muitas vezes esse ciúme pode ser atrelado a um sentimento a mais, onde  aquele médium pode estar confundindo a atenção do dirigente, os sentimentos e passe a olhar para seu dirigente com outros olhos, um problema extremamente grave quando de sua ocorrência na casa religiosa.

UM BOM DIRIGENTE NA MEDIDA DO POSSÍVEL DEVE DAR ATENÇÃO A TODOS IGUALMENTE PARA QUE NÃO HAJA FAVORITISMOS.

AS REGRAS E DEVERES SÃO PARA TODOS.

Esse excesso de ciúme atrapalha IMENSAMENTE EM SEU PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, porque posturas como essas são atreladas a desvios morais, podendo atrair companheiros espirituais que se sintonizam com tais sentimentos e condutas. Quando essa doença emocional é oriunda de um médium de trabalho, ostensivo na casa religiosa, muitas vezes a única medida cabível é o afastar de suas funções levando o mesmo a um tratamento espiritual para que dessa forma seja cuidado e tratado, e deixe dessa forma de ser um veículo de desequilíbrio espiritual em sua casa religiosa.

Mas como tudo há o outro lado da moeda DIRIGENTES EXTREMAMENTE POSSESSIVOS E CIUMENTOS, são dirigentes que não admitem que seus filhos por exemplo conheçam outras casas religiosas, com medo de os perder, a gente não se perde o que nunca teve, se um médium ele vai em uma outra casa e acha que ali é um lugar melhor para sua trajetória, o dirigente não adianta espernear, ficar bravo, ABENÇOE E DESAPEGUE, evita aborrecimentos, tristezas, demandas desnecessárias, porque é um tal de fazer feitiço para filho que sai da casa, ou aquelas brigas, verdadeiros cabos de guerra para se pegar uma guia, uma quartinha que ficou no terreiro porque o dirigente se recusa a dar, pelo amor de Orixá sejamos ADULTOS. Já soube de dirigentes que quebraram as coisas do médium, cortaram suas guias, é inacreditável tamanha ignorância, só lembrando que um dirigente no mínimo deveria ter um melhor preparo que seu pupilo a nível espiritual e evolutivo, mas na pratica não é bem isso que ocorre.

OS PERTENCES FRISE-SE BEM DAQUELE MÉDIUM X, PERTENCEM A UM ORIXÁ, OFENDE-SE A QUEM MESMO? é uma questão de lógica e raciocínio, vamos deixar a ignorância e orgulho de lado e agirmos dentro do respeito e fé que nossa religião exige. Por favor.

O CIÚME É ORIUNDO MUITAS VEZES DA FALTA DE CONFIANÇA EM SUA PRÓPRIA CAPACIDADE.

Nossa religião exige constantemente que estejamos sempre nos reformando intimamente, volto a dizer que estamos aqui para aprendermos a ser pessoas melhores, refinando nosso caráter, para que sejamos o máximo possível médiuns sérios e conscientes de suas responsabilidade perante a sociedade e grupo religioso. Algumas posturas é no mínimo despropositadas para um médium de Umbanda, simplesmente não se encaixam, não são aceitáveis.

A MUDANÇA E REFORMA ANTES DE SER EXIGIDA NO OUTRO DEVE ANTES COMEÇAR COM A NOSSA.

SEJAMOS ENTÃO O EXEMPLO QUE QUEREMOS VER NO MUNDO, E PRINCIPALMENTE NA RELIGIÃO QUE PROFESSAMOS.

Irmãos não sintam raiva de pessoas que sofrem desse mal, elas simplesmente custam a aprender que o ciúme possessivo é um mal que prejudica a muitos mas principalmente prejudica ainda mais a quem o possui, é um verdadeiro veneno, que consome e adoece. O ciúme tem tirado vidas, destruído lares, famílias, amizades. Na medida do possível tenhamos paciência e vamos trabalhar para sua cura.

“O AMOR É BENIGNO NÃO ARDE EM CIÚMES”

No lugar de sentir ciúmes pelo que o outro está conquistando ou tem, que tal sermos agradecidos pelo que temos  e compartilhar e comungar de suas alegrias? Ficar realmente FELIZ  pelo sucesso do outro. Somos todos irmãos ou isso é só da boca para fora? Lembra que os Pretos Velhos nos ensinam sobre “olho gordo”, que é o pior feitiço? vamos deixar essa bobagem de lado, e vamos ser bons médiuns.

E você meu irmão(ã) que leu esse texto, se identificou em algum trecho? Sim, foi direto no calinho ali. Doeu né? mas é bom essas conscientizações,  bora trabalhar nisso e ser uma pessoa melhor. Pensemos.

Vamos refletir profundamente sobre isso, porque nossos guias e mentores lá do alto agradecem.

Por: Cristina Alves

Texto retirado do site:


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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

DEPRESSÃO NA VISÃO UMBANDISTA.



A depressão é um dos maiores males mentais sofridos pelos seres humanos nesse século. E um dos maiores obstáculos é o reconhecimento dessa doença tão grave, pois sendo ela reconhecida se facilita em um diagnóstico e tratamento.

É dito que infelizmente a metade das pessoas que passam pela depressão nunca tem a doença diagnosticada e tratada, e isso pode ser uma grande ameaça, pois mais de 10% das pessoas que tem depressão chegam ao suicídio.

Desse ponto chegamos sobre o que desejamos expressar nesse texto, ou seja, a visão da Umbanda sobre a depressão.

Quando uma pessoa com o mal da depressão chega a reconhecer sua doença, busca diagnósticos, tratamento, e mesmo assim esse mal não é sanado, podemos salientar que essa depressão não é apenas um mal físico mental, e sim espiritual.

Sabemos que em nosso redor sempre temos companhias espirituais, como por exemplo Entidades de Luz, Irmãos de Luz, Anjos Celestes, espíritos desencarnados que buscam luz para caminhar, enfim vários tipos de manifestações espirituais, assim como também temos ao nosso redor manifestações de espíritos sem luz, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros, vampirizadores , que a todo momento estão dispostos a encontrar uma fraqueza nossa para poderem se aproximar, se instalar e dominar nossa mente.

E essas fraquezas podem ser nossos atos, ações, pensamentos, vícios, sentimentos, ou seja, tudo que não é de acordo com a caridade, a humildade, a paz, o amor e a fé, se tornam armas contra nós mesmos, e levando energias a esses obsessores.

Entre tantas coisas que esses obsessores tomam para essa aproximação, uma das mais intensas é a depressão, que nós seres encarnados podemos ter, e nos deixar ser tomados pelas energias más desses seres obsessivos.

A depressão pode ser reconhecida pelos seguintes sintomas: 
  • Tristeza. 
  • Perda de interesse por coisas que antes você gostava. 
  • Falta de energia
  • Dificuldade de concentração. 
  • Dificuldade de tomar decisões. 
  • Insônia ou sono em excesso. 
  • Problemas no estômago ou na digestão. 
  • Sentimento de desesperança. 
  • Dores sem motivo aparente. 
  • Mudança no apetite, levando ao ganho ou à perda de peso. 
  • Pensamentos de morte, suicídio e auto mutilação. 
  • Tentativa de suicídio.

Como vimos acima esses sintomas podem diagnosticar a depressão, mas pode diagnosticar também a obsessão, e obsessores se utilizam desses sintomas da depressão para agravar ainda mais o quadro da pessoa depressiva, sempre com o intuito maior que é a de levar essa pessoa ao suicídio,. que seria o maior objetivo dos obsessores.

E porque esses obsessores tem esse objetivo?

Sabemos que somos um espírito, e que no momento estamos encarnados, e sabemos também que como encarnados somos falhos demais, essas nossas falhas nos faz dar aberturas a obsessores, essas aberturas dão a esses obsessores energias, energias essas que faz com que esses obsessores levem mais e mais maldades a nosso planeta.

Só que obsessores e vampirizadores desejam algo maior que só levar essas maldades a nossos irmãos, eles desejam escravizar as almas deles, e um modo mais concreto para isso é fazer com que as pessoas tirem por vontade própria o seu bem maior, ou seja a própria vida.

O suicídio é a grande arma para obsessores e vampirizadores terem sempre escravos a seu domínio, e a depressão é o melhor caminho para esses seres chegarem ao objetivo final, pois ela, a depressão, faz com que as pessoas percam toda e qualquer ligação com seu bem maior, a vida dada pelo Pai Maior, nosso amado Deus.

Muitas pessoas mal informadas tem como praxe em dizer que a mediunidade pode trazer depressão, porém isso é inexistente, todo tipo de depressão, todas as formas da doença podem ser tratadas em uma casa de Umbanda, com o médium fazendo seu desenvolvimento mediúnico e espiritual de forma correta e honesta, frisando que em casos de depressão físico mental, a Umbanda e o desenvolvimento auxiliam extremamente, porém nunca podemos deixar o tratamento médico terreno, um especialista no caso é essencial.

Consideremos a mediunidade como recurso de evolução e a depressão como uma doença cuja causa repousa nas velhas atitudes morais do médium.

Mediunidade não causa depressão. Entretanto, é frequente encontrarmos médiuns portadores de sintomas depressivos. Nesse caso, a aplicação da mediunidade ou, como é mais conhecido, o desenvolvimento mediúnico pode ser terapêutico, amenizando as dores do deprimido. Apenas amenizando-os, fique claro! Ainda assim, a cura da depressão não virá do exercício mediúnico e sim da reeducação emocional do deprimido por meio da mudança de condutas que alicerçam o núcleo moral da depressão.

Finalizando, a depressão é realmente uma doença grave, devemos entender que ela pode nos levar as mais profundas tristezas, e que essas tristezas que temos são utilizadas por obsessores para diversos fins, principalmente para nos levar ao suicídio. Portanto devemos buscar um diagnostico coerente, um tratamento médico terreno, e um tratamento espiritual, para nos fortalecer e não deixar jamais que obsessores se usufruem dessa nossa fraqueza para tomar nossas almas, e assim nos deixar eternamente nas mãos desses vampirizadores.

Devemos erguer nossa fé, crer no Pai Maior, em seus Anjos e nas Entidades de Luz, que assim certamente teremos forças para a mudança em nós mesmos, e assim vencer a depressão e os obsessores.

Uma luta é vencida com muita boa vontade, entendimento, fé em Deus e em nós mesmos.

Lute sempre para vencer a depressão, nem ela nem obsessores tem mais poder do que sua fé e sua força de vontade.

Reflita!

Por: Carlos de Ogum

Texto retirado do site:


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O PRÍNCIPE E A ANDORINHA, UMA HISTÓRIA SOBRE O APEGO



Com esta história sobre o papel que o apego exerce em um casamento, queremos refletir sobre os mecanismos dessa ligação que nos causa tanto sofrimento. Ela nos afeta profundamente quando tentamos controlar e dominar o outro, colocando como desculpa o amor.

Qual é a diferença entre amor e apego? Por que nos confundimos? Como o apego influencia negativamente os nossos relacionamentos?

“Quando estamos ligados a algo ou a alguém sempre há medo, medo de perder o que temos. Sempre existe essa sensação de insegurança”.
-Jiddu Krishnamurti-

O príncipe passava os dias olhando pela janela esperando que algo novo acontecesse. Tinha somente um servo que se encarregava de fazer as compras e manter o castelo limpo. “Que vida aborrecida”, ele suspirava.

Em uma manhã de abril, uma andorinha pousou na sua janela. “Oh, que criatura pequena e delicada”, disse o príncipe. A andorinha o presenteou com uma curta melodia e se foi. Ele ficou maravilhado: o seu canto parecia ser o mais lindo do mundo e a sua plumagem a mais original. Um ser único!

A andorinha retornou

O príncipe aguardava ansiosamente o seu regresso. O dia tão esperado chegou e a andorinha voltou para cantar outra canção. Ele ficou muito feliz e pouco antes da andorinha voar novamente se perguntou: “Será que ela está com frio?

Na terceira vez que o pássaro voltou, o príncipe se preocupou se ela estava com fome. Nos dias seguintes, ele se dedicou a construir uma casa para a andorinha. Ele mandou o seu servo comprar madeiras, pregos e caçar insetos. Finalmente, depois de várias tentativas desajeitadas, exigiu que o servo construísse a casa. “Pássaro maldito”, murmurava o servo.

Colocou dentro da casa os insetos, a água e tecidos de seda para fazer uma cama. Quando a viu pousada no parapeito da janela, aproximou a casa e ficou observando como ela bebia a água e aproveitava a comida que ele havia preparado. “Você gosta destes insetos, minha doce andorinha? Eu os cacei para você”. Com um breve trinado a andorinha pareceu concordar e retomou o seu voo.

O príncipe precisa lidar com a incerteza

A andorinha não voltou e o príncipe foi invadido pela ansiedade. E se ela nunca mais voltar? E se encontrar uma casa melhor? Talvez outros príncipes tenham construído casas melhores e caçado os insetos. Não podia permitir. Não existia uma andorinha igual a essa no mundo!

O príncipe passou dois dias sem dormir e sem pensar em outra coisa, até que decidiu fabricar uma porta com cadeado para a pequena casa. Quando a andorinha voltou e entrou para provar a comida, o príncipe trancou a porta. “Eu te amo, nunca mais lhe faltará água, comida e não sentirá frio”, disse ele.

Um pouco confusa, a andorinha se deixou levar, a princípio pela comodidade. Aproveitava o calor da sua nova casa e tinha comida ao seu alcance, sem precisar farejar entre as plantações para consegui-la.

O príncipe colocou a gaiola na sua mesa de cabeceira para cumprimentar a andorinha todas as manhãs ao acordar. “Você é a minha andorinha, cante uma linda canção para mim”, ele dizia. “Essa vida não é tão ruim”, pensava a andorinha e cantava lindamente. Mas, com o passar do tempo, a sua música foi se apagando, até que ela emudeceu.

A andorinha perdeu o seu canto

– “Você já não canta mais?”- perguntou o príncipe surpreso. “Você me fazia muito feliz quando cantava.”

– “Minha canção era inspirada pelo fluir do rio, pelo som do vento nas árvores, pelo reflexo da lua nas rochas das montanhas. Eu era feliz, mas agora nesta gaiola, não encontro motivos para cantar.”

“Eu faço isso porque te amo” – dizia o príncipe. “É perigoso andar sozinha por aí. E se acontecer um acidente? E se não encontrar comida? E se um caçador atirar em você?”

– “Quem? O que é um caçador?” – questionava ela.

– “Eu cuido de você e a protejo, aqui está a salvo de qualquer perigo.”

Um dia, o príncipe acordou sobressaltado. Foi acariciar a andorinha e a encontrou morta.

Com muita raiva, chamou o seu servo e o despediu, porque certamente um dos insetos que ele caçara a tinha matado. O fato de ter encontrado um culpado não o consolou; se sentia ainda mais sozinho e impotente do que antes da andorinha aparecer. Até que outra andorinha pousou na sua janela e cantou uma canção: a mais linda canção que ele já havia escutado.

O apego exagerado acaba com o amor

Esta história fala sobre como funciona o apego nos relacionamentos de casal e nos mostra como muitas vezes os nossos medos se impõem aos desejos e direitos do outro. Quando tentamos transformar as pessoas, as afastamos da sua essência e da sua felicidade. Fazemos tudo por elas e, sem nos darmos conta, estamos prejudicando as pessoas.

Diante de uma situação de solidão ou vazio podemos assumir a responsabilidade e sair dessa situação por nós mesmos, ou então responsabilizar o parceiro e estabelecer uma relação de dependência.

O apego pode nos confundir e exagerar as qualidades do ser amado; passamos a acreditar que ele é um ser único e insubstituível. Isto aumenta a nossa ansiedade pelo fato de imaginarmos a sua possível perda. Com a desculpa de proteção ou bem-estar, podemos privar o outro da sua liberdade.

Esta é uma história sobre o apego, mas é também uma história de amor.  Amar é aceitar e respeitar a maneira de ser do outro, desejar a sua felicidade antes de pensar nas nossas necessidades. É preciso deixá-lo voar como as andorinhas, caso precise e isso o faça feliz.

Texto retirado do site:


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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SACRIFÍCIOS: SERÁ QUE A ESPIRITUALIDADE NECESSITA DISSO?



Sacrifícios: será que a Espiritualidade necessita disso?

Antes de qualquer coisa vamos deixar claro que não estamos aqui para julgar qualquer tipo de seita que prega que se devem fazer sacrifícios para obter uma possível vantagem em algo que se pede, mesmo se esses pedidos forem sem nexo ou sem a mínima noção e sem nenhuma ligação com a espiritualidade.

Gostaria de frisar também que estaremos falando de Umbanda e não de outros dogmas, portanto para ficarmos em entendimento a Umbanda prega sempre a vida, e o matar animais para supostos sacrifícios não fazem parte da Umbanda.   

Portanto vamos descrever nesse texto o olhar de um umbandista para os umbandistas e se algum leitor não concordar com o que descrevemos aqui, isso faz parte do livre arbítrio de cada um, assim como faz parte de meu livre arbítrio não crer ser umbandista quem discordar que sacrifício de animais não cabe na Umbanda.     

Muitas pessoas sem informação espiritualista dizem com convicção que devemos fazer sacrifícios de animais em rituais, porque somos carnívoros e assim devemos alimentar as Entidades com essa suposta energia, para que assim essas Entidades possam nos auxiliar em algo que desejamos.     

Pois bem, refletimos bem sobre a ignorância desses pensamentos: 

1º Estamos comparando um ser encarnado cheio de defeitos e vícios com uma divindade de Deus, ou seja, com uma Entidade de Luz. 

2º Estamos tentando mostrar algo que não existe, ou seja, fazer uma Entidade de Luz ser imperfeita e se energizar com algo orgânico. 

3º Com fatos assim estamos colocando as Entidades de Luz como meros seres encarnados, que faz trocas buscando a vantagem própria. Se fosse assim não seriam Entidades.     

E assim os menos informados adentram na lenda de terem que fazer oferendas a seus deuses, enquanto os mais astutos usam desse fato para subtrair bens de uma forma desonesta e hipócrita.     

Certamente muitos supostos Zeladores de Santo, que se dizem especialistas em Umbanda vão ser contra tudo que nós do Blog Umbanda Yorimá pregamos sobre oferendas e sacrifícios, porém quem é da Umbanda, sabe onde ela nasceu, e como nasceu no Brasil, e para os que insistem em pregar sacrifícios e cobranças de oferendas vou colocar um pequeno anexo para a reflexão de todos: 

"O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade... Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer, no decorrer destes 66 anos, que retribuiu uma cura (e foram aos milhares) com dinheiro." - ZÉLIO DE MORAES. 

Obs.: Zélio de Moraes faleceu no dia 03 de Setembro de 1975, e nunca incentivou qualquer tipo de oferenda e sacrifício dentro da Religião de Umbanda.    

A ganância e a vaidade de certos Zeladores levam os mesmos a pregarem insanidades em nome da Umbanda, entre tantas dessas está os sacrifícios, que é totalmente descabido, sem nenhuma necessidade dentro da religião.   
  
E assim sendo para continuarmos uma reflexão estou anexando mais um texto falando sobre e na qual a fonte vem logo abaixo, portanto reflitam para não se deixarem enganar por supostos Zeladores de pensamentos arcaicos.

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“PERGUNTA: A Umbanda faz sacrifícios de animais?

RAMATÍS: A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamentos vibratórios dos Orixás e nem realiza ritos de iniciação para fortalecer o tônus mediúnico com sangue. Não tem nessa prática legítima de outros cultos, um dos seus recursos de oferta às divindades. A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda – assim como em outras religiões. Suas oferendas se diferenciam das demais por serem isentas de sacrifícios de animais pelo fato de preconizarem o amor universal e, acima de tudo, o exercício da caridade como reverência e troca energética junto aos Orixás e aos seus enviados, os guias espirituais. É incompatível ceifar uma vida e fazer a caridade, que é a essência do praticar amoroso que norteia a Umbanda do Espaço. Toda oferenda deve ser um mecanismo estimulador do respeito e união religiosa com o Divino, daí com os espíritos da natureza e dos animais "almas/grupo", que um dia encarnarão no ciclo hominal, assim como já fostes animal encarnado em outras épocas.

PERGUNTA: E os dirigentes de centros que sacrificam em nome da Umbanda?

RAMATÍS: Reconhecemos que na mistura de ritos existentes, se confundem o ser e o não ser umbandista. Observai a essência da Luz Divina - fazer a caridade - e sabereis separar o joio do trigo. Tal estado de coisa reflete a imaturidade e despreparo de alguns dirigentes que se iludem pela pressão de ter que oferecer o trabalho "forte". As exigências de quem paga a consulta e o trabalho espiritual e quer resultados "para ontem" acabam impondo um imediatismo que os conduz a adaptarem ritos de outros cultos aos seus terreiros. Na verdade há uma enorme profusão de rituais que naturalmente é confusa, refletindo o estado da consciência coletiva e o sistema de troca com o além estabelecido que viceja: o toma lá da cá. Toda vez que um médium aplica um rito em nome do Divino e sacrifica um animal, interfere num ciclo cósmico da natureza universal, causando um desequilíbrio, desde que interrompe artificialmente o "quantum" de vida que o espírito ainda teria que ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai. Pela Lei de Causa e Efeito, quanto maior seu entendimento da evolução espiritual - que inexoravelmente é diferente da compreensão do sacerdote tribal de antigamente -, ambição pelo ganho financeiro, vaidade e promoção pessoal, tanto maior será o seu carma a ser saldado, mesmo que isto aparentemente não seja percebido no momento presente. Dia chegará que tais medianeiros terão que prestar contas aos verdadeiros e genuínos "zeladores" dos sítios sagrados da natureza que "materializam" os Orixás aos homens e oportunizam os ciclos cósmicos da vida espiritual - as reencarnações sucessivas das almas/grupo dos animais em vosso orbe. Lembrai-vos que quanto maior a inteligência tanto maior pode ser a ambição no exercício do sacerdócio religioso. Aos que muito sabem e ambicionam, muito será cobrado pelos Orixás.

PERGUNTA: E os que justificam o sacrifício animal como "inofensivo" dizendo que não causa nenhum carma negativo? 

RAMATÍS: O carma coletivo que rege os movimentos ascensionais não se prende as crenças humanas e trata-se de lei universal. Vós que sois homens e caminham à angelitude tal qual os animais rumam à humanização gostaríeis de ter vossa garganta cortada e sangue vertido até a última gota entre ladainhas, campânulas e mantras que culminam num ápice com transe de possessão? Assim fazem com os animais que rumam para se humanizar. Mesmo que os irmãos menores do orbe sejam somente instintos, regem-nos uma Inteligência Superior que os leva a inexorável individualização, direito cósmico sagrado que os conduz ao encarnarem num corpo hominal. Quanto maior a consciência menor a ignorância das verdades cósmicas e mais amplos os débitos ou créditos na contabilidade sideral de cada cidadão. A finalidade superior das almas grupos e dos animais é não serem escravizados e cruelmente despedaçados pelos crentes religiosos que acabam bloqueando-lhes o direito sagrado de aquisição dos princípios rudimentares de inteligência pela convivência pacífica e amorosa com os humanos, experiência propiciatório para que paulatinamente formem os veículos corpo astral e mental para oportunamente virem a estagiar no ciclo encarnatório humanóide. Reflitam os que matam os animais em nome dos Santos se gostaríeis que os Anjos para se tornarem arcanjos viessem vos cortar em pedaços e "chupar" vosso sangue para se saciarem nos "páramos celestiais."

* Este texto faz parte dos livros "Diário Mediúnico" e "Mediunidade e Sacerdócio” Editora do Conhecimento. 

Fonte: Triângulo da Fraternidade

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Muitas pessoas vão tentar impor a colocação de que nos alimentamos de carne de animais, porém infelizmente em nosso mundo de precária evolução espiritual, a carne ainda alimenta a carne. Só que existe uma enorme diferença entre sacrificar um animal para usá-lo como alimento (o que já é errado) e usá-lo para saciar a sede por tônus vital por parte de espíritos sem luz como Kiumbas por exemplo.     
É algo totalmente sem nexo alguém matar um animal em meio às matas ou nas encruzilhadas ou ainda pior, nas tronqueiras, como indicam certos Zeladores ou que são feitos em alguns rituais de seitas, e ali deixar suas carcaças apodrecendo, isso é extremamente bestial. Se um templo sacrifica animais, ESSE TEMPLO NÃO É DE UMBANDA, não importando o que aleguem seus dirigentes. E nunca podemos esquecer a velha frase pregada pelas Entidades de Luz: "Se se mata animal não é Umbanda".     

Finalizando gostaria de expressar que em nossa casa não é aceito nenhum tipo de sacrifício, os filhos de nosso terreiro estão cientes do que é certo e do que é errado, sabemos que muitos dirigentes de terreiro se utilizam desses rituais para firmamento ou festas, e isso é livre arbítrio de cada um, só friso que dentro da lei da Umbanda isso não é pregado e não é aceito. E quando é feito não podemos considerar que seja Umbanda, pois quando esses sacrifícios se tomam forma de ritual, com cânticos, supostos médiuns paramentados, com ansiedade nos olhos a espera do sacrificador, isso se torna na verdade uma matança, um verdadeiro espetáculo de horror que não há nenhuma necessidade de ser colocado juntamente ao nome da divina Umbanda.     

E por motivos assim, por essas pregações sem nexo ou sem noção de certos dirigentes e Zeladores que o santo nome da Umbanda se transforma em "munição" para atacar a religião por líderes de outros dogmas, que já de uma forma mau caráter dizem que até sacrifícios humanos são feitos dentro da Umbanda, coisa que sabemos que não existe e nunca existiu.     

Vamos resguardar a nossa religião, vamos parar com esses rituais que nada tem a ver com Umbanda, vamos deixar de sermos gananciosos, vaidosos, mistificadores, vamos ser umbandistas, apenas umbandistas, a religião que prega o amor, a caridade, a paz e a vida acima de tudo. Salve a nossa amada Umbanda! 

Por: Carlos de Ogum

Texto retirado do site:


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quinta-feira, 20 de julho de 2017

UMA HISTORINHA DE CRIANÇA PARA ADULTOS.


Havia em um lugar, quatro bichinhos, um branco, um preto, um malhado e um pardo. O branco chamava-se luz, o preto trevas, o malhado, caridade e o pardo, arrogância.

O branco irradiava por si só muito brilho, tranquilidade, esperança e, acima de tudo, visão mais clara de tudo que lhe rodeava. O preto transmitia angústia, raiva, desalento, era irritadiço, mal-educado e, acima de tudo, transmitia muita tristeza.

O malhado era calmo, sereno, manso, irradiava a vontade de estar perto dele, transmitia, acima de tudo, muita compreensão.

O pardo achava-se o melhor de todos, queria ser o Manda-Chuva, “pois igual a mim”, pensava ele, não há outro melhor e com isso transmitia insolência e ar de superioridade.

O preto não queria saber de andar com o malhado, o branco dava-lhe ojeriza, mas gostava e se sentia bem com o pardo e este, por sua vez, só queria e só seguia os passos do preto, indo, quando fosse e onde fosse, a todos os lugares que ele se dirigia. O branco e o malhado se completavam e, quando o malhado conseguia expor seus ideais nobres, o branco reluzia mais e refletia isso no malhado, realizando-se assim o branco por estar na companhia do malhado. Porém, para o branco a maior satisfação era a de estar sempre que possível com o preto; era uma necessidade inata e brotava do fundo do seu coração. Ele queria que o preto não fosse como era e disse ao malhado que daria tudo, até a transfiguração de seu brilho para o preto para que eles pudessem estar juntos. Só que o preto, quando o via, se afastava e não queria saber da sua companhia.

- Pois é. – falou o malhado. – Faço das suas as minhas intenções, só que elas estão voltadas para o pardo. Ele vive a me debochar, a me criticar, a fazer desaforos e a dizer que não sirvo para nada, só porque sou bom, simplesmente por ser bom. Ele pensa e diz que isso é pura fraqueza minha.

O preto e o pardo discutiam traições, vinganças, ódios, maledicências, fofocas, pouco caso etc. até que o pardo, na sua superioridade, pôs em dúvida a força do preto.

- Você vive aí a dizer que é o todo poderoso, o senhor do mal, mas bem que eu vi outro dia você aceitar e ficar quase petrificado quando o branco se aproximou e começou a falar sobre verdades que ele julga ser e a querer dedicar confiança e amizade. Bem que você estava gostando, hein? – Eu! Você é louco. Você acha que eu seria capaz? Não sou você que outro dia flagrei às escondidas olhando o malhado dar seu pão a outro que nada tinha para comer, e também seus ensinamentos que o outro agradeceu. Você não quis se mostrar, mas ficou atento e guardou tudo com muita atenção.

- Ora, ora, você está pensando que eu sou alguma maria-mole? Eu sei muito bem do que sou capaz. Fique sabendo que você não tem o menor direito de falar assim comigo.

Houve uma discussão e eles se separaram.

O preto seguia seu caminho e encontrou-se com o branco, que vinha também ao seu encontro. Ele tremeu, mas no fundo sabia que lhe fazia bem a companhia e que, por mais que se afastasse, sempre o encontraria em sua direção.

O pardo ao ir, viu outra vez o malhado fazendo das suas e parou e ficou olhando, reflexivo. No fundo ele achava muito bonito o que o malhado fazia e analisou que mesmo que ele não quisesse, iria sempre encontrá-lo sua frente.

Moral da história: Por mais escuros que sejam os caminhos que trilhamos, sempre haverá uma luz a que se apegar para iluminar a jornada. Por mais que nos façamos de indiferentes, haverá sempre alguém a mostrar que não há saída para os caminhos sem a ajuda da mão que a caridade estende.

A todos, com muito amor e carinhos.

Por: Ricardinho

Texto retirado do Livro Rituais de Umbanda de Evando Mendonça, das páginas 125 e 126.

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